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Projeto vai investigar aumento de casos de suicídio em população idosa

 

As taxas de suicídio no Brasil vêm apresentando crescimento leve, mas consistente, principalmente na população acima de 60 anos. Segundo a pesquisadora Cecília Minayo (Claves/ENSP), a taxa de suicídio entre os homens desta faixa etária é ainda maior, passando de 12 suicídios a cada cem mil pessoas para 15,8 a cada cem mil, entre 1980 a 2006. Segundo a OMS, a situação é considerada de média gravidade quando passa de dez suicídios a cada cem mil habitantes. Para estudar a magnitude e a significância do suicídio da população idosa brasileira, o Programa de apoio à Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação em Saúde Pública (Inova-ENSP) aprovou o projeto Possível prevenir a antecipação do fim? Suicídios de idosos no Brasil e possibilidades de atuação do setor saúde, coordenado por Minayo.

Um dos objetivos do estudo é fazer com que sua própria realização e socialização de dados, colhidos e analisados, possam ser apropriadas pelos profissionais de saúde e de direitos humanos. De acordo com Cecília Minayo, não há pesquisas sobre esse tema no país, o que justifica ainda mais a importância da investigação. "De acordo com a literatura internacional, é possível prevenir o suicídio de idosos a partir da atenção primária, mas é importante que os profissionais de saúde de todos os níveis da atenção aprendam a reconhecer os sinais e sintomas de ideação e tentativas e elaborem cuidados estratégicos de prevenção."

O projeto prevê a realização da chamada "autópsia psicossocial" em idosos que cometeram suicídio por meio de entrevistas com familiares em dez municípios brasileiros com taxas de mortalidade relevantes; contextualização do problema e análise qualitativa das especificidades individuais, sociais e regionais. Além disso, será realizado um estudo ecológico sobre o suicídio de idosos para se conhecer a magnitude do problema em nível nacional e estabelecer os municípios brasileiros com maior frequência de casos, investigando, assim, variáveis associadas ao fenômeno.

Com a conclusão do estudo, na opinião da pesquisadora, será possível aprofundar o conhecimento sobre suicídio em pessoas idosas no Brasil, um problema de saúde pública que não tem estudos referenciais na literatura nacional. "Durante a realização da pesquisa, aproximadamente cem pessoas serão instruídas por meio de seminários e trabalhos de investigação. Dentre essas pessoas, está um grupo de pesquisadores do Claves, que constituirão a equipe coordenadora; pesquisadores em cada estado analisado; estudantes e estagiários de cada uma das localidades; gestores e profissionais dos Estados; e gestores e profissionais da Secretaria Nacional de Vigilância em Saúde do Programa Estratégias de Saúde da Família", explicou.

Minayo revela que também será produzido um manual com os resultados da pesquisa e orientações para os serviços de saúde, além de pelo menos quatro artigos publicados. O manual de orientação produzido pela pesquisa terá enfoques na conceituação do problema, sua magnitude e significância, sua fenomenologia e associações e as formas de diagnóstico e prevenção. O texto será dirigido para profissionais de saúde que atuam na atenção básica. "Além da disponibilização desses produtos, a pesquisa espera introduzir, definitivamente, o tema 'suicídio de pessoas idosas' na agenda do setor saúde, sobretudo por meio de articulações com o Ministério da Saúde e de seminários com pesquisadores, gestores e profissionais que atuam nos serviços."

Fonte: Informe Ensp

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